...desdobrando abstratos, observando nuances, transpassando paredes a fim de saber o que pensa, se me espera, se me quer e o que faz.
Não faz sentido viver a vida de outra pessoa e perco ainda mais a razão em não conseguir distinguir o que cabe a mim e o que convém ignorar. Qual é minha identidade, o que de fato me pertence? O cheiro, as canções e o que já estava em mim passou a ser tão seu quanto meu.
Já não tenho domínio dos espaços dentro do meu eu. Contraditóriamente é um dentro tão vazio, uma ocupação que não preenche.
Dias que se vão penitenciando minha vida inutil.
A raiva demorou a chegar. Mas quando enfim vier, me envergonharei de cada pensamento, de cada instante consumido envão.
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