sexta-feira, 6 de agosto de 2010

anamnese



Era uma dor muito estranha. Aguda e lancinante, que fazia suar e ter vertigem, por vezes, uma lágrima.

Durava o tempo que se a sentisse.

Rastreados os órgãos, fígado, baço, rins, tudo em ordem. Pele, músculos, nervos e tendões sem avarias. E a dor lá, doendo.

Tomava todos os analgésicos inventados, tinha conta na farmácia. E a dor não passava.

Dentista, homeopata, clínico geral e, mesmo, geriatra não detectavam a origem.

Chegou a consultar mãe de santo. Fez trabalho no mato, jogou búzios, procurou cartomante, bebeu poções.

Não adiantava.

Toda vez que olhava o espelho, lá estava a dor.



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