Me senti a Sharon Stone dos pobres lendo esse texto.
Adorei cada extrofe. Espero que gostem também!
Cruzadas
Adorei cada extrofe. Espero que gostem também!
Cruzadas
Ele chegou e se foi com a luz da lua nos cabelos. Depois choveu, mas o cheiro ficou. Não tomei banho porque o cheiro dava tesão e então eu gozava de novo. Melhor ter partido, no entanto. Bom lembrá-lo uivando, um boi no abate, eu te suplico. A fantasia dá de dez a zero na realidade.
Dormi muito e acordei faminta. Nada comi para me sentir ainda mais esfomeada e só depois, ao matar a fome, poder ficar completamente feliz a ponto de explodir. Felicidade a gente provoca. Ela custa pouco. Quando é cara, não é de boa qualidade.
Decidi por uma gororoba na esquina. Gostei de acordar, sair por aí, minissaia e sem calcinha, rabo-de-cavalo loiro, tão livre! Tão bom ser mulher! Sair reparando na arquitetura brega e modernosa dos novos prédios, nos paralelepípedos, nos sapatos, no pichado do muro e nas coisas que ninguém repara.
Sentei-me ajeitando a toalha xadrez puída. Suco de melão, cruzo a direita, por favor, cara de vontade de comer. Cruzo a esquerda. Um beirute. Há uns cinco homens no boteco. Barrigudos, desolados. E capricha, que eu tô morrendo de fome.
Todos olhavam. Corei. Veio o suco, o prato, que vergonha, comi de cabeça baixa. Devagar, como se ritual, saboreando o tempero barato e picante. Pobres anoréxicas, quanta infelicidade. Todos olhavam. Aí lembrei daquele filme da Sharon Stone. Os homens são uns bobalhões. He he...
Tchau, obrigada, pode ficar com o troco. Antes de ir, porém, lembrei novamente do filme. Mais uma vez corei. E cruzei de novo as pernas, desta vez lentamente, levantando um pouco mais entre o vão. A Sharon Stone dos pobres.
Ouvi algumas obscenidades e saí, empinando os peitos, tão estranha é a vida sobre a Terra.
(mônica oliveira)
(mônica oliveira)
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