segunda-feira, 12 de julho de 2010

mais uma criança no mundo

 D. (chamarei assim aquela minha amiga cuja alcunha é "Danada") está grávida. Engravidou do homem que foi capaz de despertar o sentimento mais próximo do tal amor e também da dor da perca. Engravidar do homem que o coração escolheu, é a questão, boa ou ruim? Ela não sabe se isso é bom, mas nessa fase, de menos de um mês de feto, não é possível identificar o lado positivo, de ter gerado uma vida com o homem que até então é o escolhido por seus sentimentos, mas não por opção lógica, já que, embora efetivado o elo mais intenso que um casal possa ter, não há distanciamento maior, e é isso que mais machuca. Saber que elo maior não há. Tão pouco maior abandono de afeto, de amor. 
 Agora são dois corações batendo pelas mesmas necessidades. Amor, carinho, consideração, fome, sede e atenção. Tudo é mais intenso e muito mais profundo. 
 É  preciso atitude de mulher para cobrar a atitude de homem.
 E toda manhã despertar para um agora muito mais próximo do amanhã. Faltam poucas semanas para a barriga aparecer. Os pais vão saber. Mais que força e coragem, é imprescindível uma espécie de livramento divino. Milagre, é, só um milagre para manter a gravidez de D. em tranquilidade.
 E uma nova vida está por vir, não merece ser interrompida, embora não exista fase pior para que esta tenha sido gerada. 
 Cobranças inevitavelmente existentes. Revoluções aparentes... corpo mais desenvolvido, enjôos frequentes, angustia aguda, carência gritante e diversos sonhos interrompidos. 
 D. agora é uma garota interrompida. 
 Ninguém duvida que ela será uma ótima mãe. Mas D. duvida que será uma ótima mulher, realizada, independente, amada e bem resolvida.  

"Atrás dessas grades deve ter um mundo novo, só esperando que eu saia para ser descoberto. Novas pessoas esperando por novos tempos. Novas vidas esperando por novos ares. Só esperando.
Eu também espero. Espero um dia sair de casa e ter a certeza de que vou voltar. Ter certeza 
de que mais uma criança no mundo não é sinal de preocupação e sim de alegria. Eu queria poder 
ter certezas."

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